As Quarenta horas de Angicos: a experiência freiriana no Rio Grande do Norte

Publicado em 12 de setembro de 2021 às 21h25min

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Dos feitos de Paulo Freire para com a alfabetização de adultos, destaca-se o realizado na cidade de Angicos, em 1963. “As quarenta horas de Angicos” foi o termo usado para a experiência aplicada naquele município, que consistia na ação do educador de conhecer a realidade do aluno e extrair dali os termos que orientavam o ensino. Dessa forma, 300 trabalhadores rurais foram alfabetizados, ganharam direito ao voto e aprenderam lições básicas de direitos trabalhistas na cidadezinha do interior do Rio Grande do Norte.

Entre os alunos alfabetizados por esse método está Maria Eneide de Araújo, ela foi a convidada desta sexta-feira (10) da série “Paulo Freire, Presente!”, transmitida no Jornal da Educação. Maria Eneide relembra como foi a primeira noite de estudos: “As palavras geradoras eram filmadas e projetadas no quadro da escola, então os professores perguntavam sobre as figuras e ali começava toda a aprendizagem.”

Além de Português e Matemática, os ensinamentos se estendiam a outras áreas. Nas aulas de Política e Cidadania os alunos aprendiam sobre seus direitos. “Eu lembro de um soldado da polícia que nunca tinha tirado férias, porque não tinha conhecimento do assunto, quando ele aprendeu sobre esse direito, pôde então reivindicar as primeiras férias da sua vida”, relata.

Maria Eneide de Araújo se formou em pedagogia pela Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN) e foi professora do ensino público, em Angicos, até se aposentar. Foi com o método de aprendizagem freiriano que ela descobriu sua vocação para a sala de aula. “Eu tinha 6 anos quando percebi que queria ser professora, quando comecei a imitar a minha professora na sala. Se meu pai faltasse à aula, então eu aprendia e ensinava a ele”, explica.

A formatura da turma de Angicos contou com a presença do presidente João Goulart e do educador Paulo Freire. No ano seguinte, em 1964, as aulas não voltaram a acontecer. Como resultado do golpe militar, todo o Plano Nacional de Alfabetização, fruto do governo de Goulart em parceria com Freire, foi desestruturado.

A entrevista com Maria Eneide de Araújo foi a segunda da série especial produzida pelo Jornal da Educação para comemorar o centenário de Freire. Nas semanas seguintes, os ouvintes conhecerão outras experiências e legados deixados pelo pernambucano. O programa vai ao ar toda sexta-feira, às 12h30, na Universitária FM Natal e é uma produção do ADURN-Sindicato.

Ouça a edição da última sexta-feira (10) na íntegra: https://youtu.be/_CRq6hlBa0s

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