Campanha “De pé no chão também se aprende a ler” e a promoção da Educação e da Cultura Popular

Publicado em 22 de setembro de 2021 às 10h29min

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Um dos projetos mais conhecidos da educação natalense foi a campanha “De Pé no Chão Também se Aprende a Ler”. A campanha foi implementada pelo prefeito Djalma Maranhão em 1961, período que Natal, inserida no cenário nacional de elevados índices de analfabetismo, possuía altas taxas de exclusão escolar e uma população pobre, sem acesso mínimo à educação formal.

Para Willington Germano, professor emérito da UFRN e convidado da última sexta-feira (17) do Jornal da Educação, o projeto foi “um magnífico movimento que ocorreu em Natal'' inspirado no modelo de educação de Paulo Freire. “Não era apenas um movimento de educação, mas um movimento articulado com a área da cultura, que redundou em uma completa organização educacional e cultural na cidade de Natal”, afirma Germano.

Sobre o gestor que esteve à frente da campanha, Willington enfatiza que “Djalma Maranhão era um político do campo progressista, portanto do campo da esquerda, identificado com todas as lutas existentes naquele contexto em defesa de reformas estruturais na sociedade brasileira para o enfrentamento da desigualdade e das injustiças sociais”, explica o professor.

Neste governo que buscava, portanto, suprir as demandas populares, a principal reivindicação era erradicar o analfabetismo na capital potiguar. “O projeto nasceu de uma reivindicação popular, já que a própria campanha eleitoral de Djalma Maranhão foi feita com base em comitês populares, os chamados “comitês nacionalistas”. O berço da campanha “De pé no chão também se aprende a ler” foi o Comitê Nacionalista das Rocas”, acrescenta Germano.

Sem dinheiro para a construção de prédios escolares, a Prefeitura apelou para a população: onde fosse cedida, sem cobrança de aluguel, uma sala, seria instalada uma escola. E assim surgiram escolas sem paredes, cobertas de palha de coqueiro e com o pisos de barro batido -  estrutura que se espalhou pela periferia da cidade. Essa iniciativa fez com que as crianças não precisassem se deslocar para regiões distantes de suas residências, ampliando a possibilidade de presença nos espaços de construção de conhecimento crítico.

Willington Germano ainda atribui ao projeto a promoção da Educação e da Cultura Popular que se estende até hoje na capital potiguar, pois foi “a partir desses acampamentos escolares que surgiram bibliotecas populares, o teatrinho do povo, as galerias de artes, as praças de cultura, a valorização da diversidade da cultura popular, trazendo para Natal um clima de esperança e renovação”. 

Aludindo à potência política da exitosa campanha “De pé no chão também se aprende a ler”, Willington finaliza destacando que “é através da cultura e da educação que os sujeitos se identificam, é através da cultura que os sujeitos se tornam visíveis e podem agir politicamente”. 

A entrevista com Willington Germano faz parte da série especial produzida pelo Jornal da Educação para comemorar o centenário de Paulo Freire. Nas semanas seguintes, os ouvintes conhecerão outras experiências e legados deixados pelo educador pernambucano. O programa vai ao ar toda sexta-feira, às 12h30, na Universitária FM Natal.

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