Ataque à ciência se aprofunda com atraso de bolsas do Pibid e RP, diz coordenador do DCE

Publicado em 26 de outubro de 2021 às 09h39min

Tag(s): Capes Ciência e Tecnologia



Diante do atraso no pagamento das bolsas do Pibid (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência) e da RP (Residência Pedagógica), voltadas a estudantes de licenciaturas, as comunidades acadêmicas de várias universidades federais protestam em ato nesta terça-feira (25).

Os atos estão sendo organizados principalmente pela UNE, UBES e ANPG. Em Natal, a mobilização será às 14h30 no setor 1, Recanto Estudantil do Diretório de Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Para o coordenador de residências do DCE da UFRN, Lorran Silva, que pibidiano de História, o ataque à ciência está se aprofundando com o atraso das bolsas de formação de professores.

Ele foi o entrevistado do Programa Balbúrdia desta segunda-feira (25) e explicou que para que a situação seja regularizada com o orçamento da Capes é preciso que a Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional vote o projeto de lei 17/2021. A matéria está parada e é capaz de abrir aos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União, em favor de diversos Órgãos do Poder Executivo e de Operações Oficiais de Crédito, crédito suplementar.

Apesar disso, segundo Lorran, nem essa medida vai garantir a continuidade do programa, que atende a cerca de 60 mil estudantes, beneficiando também a rede básica de ensino. A solução seria apenas o reajuste do orçamento.

“Esse projeto, por conta da pressão dos pibidianos e os residentes pedagógicos estão fazendo, vai provavelmente ser aprovado, regularizando as bolsas de setembro. Entretanto, o pagamento dos próximos meses não está garantido nessa PL 17”, lamentou. “Todo esse problema de orçamento está conectado ao teto de gastos e fica dependendo das dotações de créditos suplementares”.

Violência na UFRN

O representante do DCE conta que é importante que o ato seja na UFRN para demarcar que o espaço é dos estudantes. Isso porque têm chegado ao diretório denúncias de abordagens violentas por parte da segurança patrimonial da universidade, principalmente a pessoas não brancas e mulheres. Ele próprio sofreu um episódio de violência.

“Eu estava estudando no Departamento de Artes com outros três colegas e chegaram apontando arma, gritando. Ainda teve machismo, porque uma colega minha começou a gravar pra ter como se defender, e um dos seguranças já partiu pra cima, metendo a mão pra impedi-la de gravar. Antes disso pediram as nossas identificações, pegaram o documento de uma colega que é mulher trans e repetiram várias vezes o nome morto dela, mesmo a gente corrigindo e mesmo havendo um documento com o nome social”, lembrou Lorran.

Fonte: Saiba Mais

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