Nobel da Paz, Maria Ressa diz que é a democracia que está em jogo no Brasil em 2022

Publicado em 04 de maio de 2022 às 17h19min

Tag(s): Democracia



A jornalista chegou a citar Hitler ao falar de Bolsonaro: 'uma vez no poder, líderes populistas com estilo autoritário corroem as instituições da democracia por dentro'

 

www.brasil247.com - Maria Ressa, Lula e Jair Bolsonaro
Maria Ressa, Lula e Jair Bolsonaro (Foto: Reuters)

 
Prêmio Nobel da Paz em 2021, a jornalista das Filipinas Maria Ressa afirmou à Jamil Chade, do UOL, que é a democracia que está em jogo na eleição presidencial brasileira de 2022. Ela foi premiada no último ano como forma de destacar a relevância da imprensa para a democracia e para a paz. A premiação afirmou que Ressa usou "a liberdade de expressão para expor o abuso de poder, o uso da violência e o crescente autoritarismo em seu país natal, as Filipinas".

Em entrevista, a jornalista apontou semelhanças entre Jair Bolsonaro (PL)  e o que vive em seu país. A comparação, inclusive, foi objeto da conversa entre Ressa e a Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet.

"Se Bolsonaro for o mesmo tipo de líder que temos, é uma erosão gradual", afirmou, admitindo não conhecer tão profundamente o caso brasileiro.

 

Ao falar do mandatário do Brasil, ela chegou a citar Hitler, como exemplo de um líder autoritário que foi eleito e que depois destruiu a democracia por dentro. "É a morte por 10 mil navalhadas e, lentamente, o que vemos é que esses líderes populistas com estilo autoritário vão sendo eleitos. Uma vez no poder, eles corroem as instituições da democracia por dentro. Não é a primeira vez que vemos isso. Hitler foi eleito. Isso aconteceu antes".

A jornalista acredita que em 2022 a sociedade passa por um "momento existencial", com mais de 30 eleições pelo mundo neste ano.

Ressa disse que no Brasil será preciso o engajamento de todos os setores da sociedade contra as fake news, não só dos jornalistas. "Deve ser um trabalho de toda a sociedade, como tentamos fazer nas Filipinas. Mobilizar não apenas jornais para trabalhar juntos, mas também grupos da sociedade civil para parar a onda de mentiras. Tragam pesquisas acadêmicas para mostrar como estão sendo manipulados, além de advogados e especialistas em Direito".

Fonte: Brasil 247

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