Economia lenta e pobreza acelerada caracterizam a conjuntura, aponta Dieese. Já são 33 milhões passando fome

Publicado em 22 de julho de 2022 às 15h25min

Tag(s): Desigualdade social Economia



 

O ano decisivo para os rumos do país, diante das eleições gerais em outubro, começou com mais do mesmo: economia em ritmo lento e aumento da pobreza em ritmo acelerado, destaca o Dieese em boletim da conjuntura divulgado nesta sexta (22).

Os indicadores econômicos que apresentam ligeira melhora estão referidos a períodos ainda fortemente impactados pela pandemia e continuam ancorados em bases frágeis, indicando fôlego curto.

Por outro lado, as desigualdades sociais e econômicas e a pobreza se acentuam em ritmo acelerado. Em
2022, 14 milhões de brasileiros se somaram a outros 19 milhões que já sobreviviam em situação de fome
no país.

Fome

São 33 milhões de pessoas sem ter o que comer e mais da metade da população em algum grau
de insegurnaça alimentar, segundo relatório da Rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania
e Segurança Alimentar e Nutricional).

A “PEC do desespero eleitoral”, aprovada no Congresso Nacional e transformada na Emenda
Constitucional 123/22, é uma tentativa do governo de reverter o quadro eleitoral, distribuindo
benefícios somente até o final do ano, sem que esteja, de fato, articulada com uma mudança de estratégia na política econômica e nas políticas sociais. Puro casuísmo eleitoral.

Além disso, na opinião dos técnicos do órgão, a recente privatização da Eletrobras aumenta o risco de elevação das tarifas de energia elétrica e solapa a soberania e a segurança energética nacional, indo na contramão do mundo. Os próprios acontecimentos na Ucrânia mostram que é urgente retomar os instrumentos do Estado para indução do desenvolvimento econômico soberano, com distribuição de renda e proteção ambiental, reduzindo as desigualdades sociais e regionais.

Economia em ritmo lento

A economia brasileira cresceu apenas 1,0% no 1º trimestre deste ano, na comparação com o último trimestre de 2021, na série com ajuste sazonal. Na comparação com o primeiro trimestre de 2021, o crescimento foi de 1,7%.

Após a queda abrupta da atividade econômica no início da pandemia, a recuperação a partir de 2021 teve uma base de comparação muito baixa e o início de 2022 mostra que a economia brasileira apenas voltou ao observado antes da pandemia: crescimento lento e heterogêneo. O nível da atividade econômica continua abaixo do verificado em 2014!

O crescimento na comparação interanual se deve, ainda, à “ocupação dos espaços ociosos” da
economia, derivados de parte da demanda reprimida na pandemia, principalmente no setor de serviços.
Assim, embora o setor tenha tido crescimento de 3,7%, influenciado pela retomada de várias atividades
presenciais, o comércio recuou (-1,5%).

Também a indústria geral teve resultado negativo (-1,5%), com mais intensidade a indústria de transformação (-4,7%), assim como a agropecuária (-8,0%). O consumo das famílias teve o quarto trimestre seguido de crescimento, na comparação interanual.

Contudo, para além dos efeitos iniciais da pandemia, afetando a base de comparação, deve-se ter cautela na análise deste dado, tendo em vista o aumento da desigualdade social no país, de forma que esse aumento do consumo está longe de ser homogêneo entre as famílias.

Pobreza cresce em ritmo acelerado

Segundo pesquisa da Rede Penssan2, 40% dos domicílios brasileiros convivem com algum tipo
de insegurança alimentar, o que representa cerca de 125,2 milhões de pessoas, mais da metade da população do país.

Cerca de 15% da população, equivalente a 33 milhões de pessoas, estão em situação de fome, das quais 14 milhões passaram a esta dramática condição no último ano. Como afirma a pesquisa: “O país regrediu para um patamar equivalente ao da década de 1990”.

As regiões Norte e Nordeste são as mais impactadas: 71,6% e 68,0% das respectivas populações
têm algum grau de insegurança alimentar. No Norte, 25,7% das famílias convivem com a fome e, no Nordeste, 21,0%.

O aumento da pobreza está diretamente ligado à perda de rendimento e ao aumento do custo de
vida. O valor da cesta básica de alimentos, apurado pelo Dieese em 17 capitais, aumentou mais de 26%
em Recife, nos 12 meses encerrados em junho, a maior variação registrada. Em seguida aparecem
Salvador (+24%), Campo Grande (+24%) e São Paulo (+24%). As menores variações registradas foram
em Vitória e Curitiba, com aumentos de 13%.

Além disso, a inflação continua castigando a populaçã3. Nos 12 meses encerrados em junho, a
inflação para as pessoas de renda muito baixa atingiu 12,0%, percentual também registrado para o
segmento de renda alta, cuja taxa inflacionária deu uma acelerada em junho, segundo o Índice de Preços
ao Consumidor Amplo, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IPCA-IBGE). Na média, a
inflação nesse período foi de 11,9%.

O rendimento real domiciliar por pessoa (per capita) atingiu o menor valor desde 2012, quando o
levantamento começou a ser feito pelo IBGE4. Em valores atualizados para 2021, o rendimento médio
mensal domiciliar per capita ficou em R$ 1.353 e os menores valores foram registrados na região Norte,
R$ 871, e no Nordeste, R$ 843. As outras regiões registraram valores quase duas vezes maiores.

Aproximadamente metade da população teve rendimento médio mensal de R$ 415, em 2021, valor ainda
menor que os R$ 489 de 2020. Já o 1% da população de maior renda teve rendimento médio de R$ 15.940. Assim, esse grupo teve rendimento 38 vezes maior que a média dos 50% da população de menor renda.

Leia a íntegra do boletim

Fonte: CTB

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