Janine Ribeiro sobre corte de verbas de educação e saúde: ‘Por que não tiram do orçamento secreto?’

Publicado em 28 de julho de 2022 às 14h40min

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O presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SPBC), Renato Janine Ribeiro, comentou em entrevista à TvPT a grave situação do setor. Na última terça-feira (25), o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Paulo Alvim, disse na 74ª Reunião Anual da SBPC que as verbas destinadas à pasta – bloqueadas pelo Ministério da Economia – serão liberadas paulatinamente. Porém, o secretário especial do Tesouro e Orçamento do Ministério da Economia, Esteves Colnago, indicou que, para desbloquear R$ 2,5 bilhões contingenciados do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), o Ministério da Economia cortaria verbas da educação e saúde, “áreas críticas para a sociedade, para compensar o desbloqueio dos recursos da ciência”, segundo nota da SBPC em seu site.

“Ganhamos uma luta depois de várias batalhas, e dizem que vão tirar de áreas irmãs, igualmente estratégicas. Por que não tiram das emendas de relator, do chamado orçamento secreto, do dinheiro canalizado para fins eleitoreiros?”, questiona Janine Ribeiro. Ex-ministro da Educação. Janine lembra que, há duas semanas, a Câmara dos Deputados aprovou a PEC do Auxílio para driblar a legislação, que proíbe medidas com finalidade eleitoreira em ano de eleição.

Nesta quinta-feira (28), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai receber do ex-ministro, na 74ª Reunião Anual da SBPC, documento com propostas de retomada do desenvolvimento científico e tecnológico, áreas devastadas na era Bolsonaro.

Dinheiro da Eletrobras para queimar

O ex-ministro também criticou a venda da Eletrobras por R$ 30,76 bilhões. “A Eletrobras dava ao Brasil a possibilidade de controlar a energia hidroelétrica. Pensa: pegar esses 30 bilhões e colocar boa parte para queimar no cano de escapamento dos veículos, com combustível fóssil”, diz Janine.

Na entrevista, Janine comentou a séria situação das universidades: sem dinheiro para terminar o ano, com alunos cujas bolsas não são renovadas; diminuição de bolsas; dificuldade de pessoas qualificadas, mesmo com doutorado, de conseguir emprego. “Parece uma política deliberada”, diz o ex-ministro, sobre a situação que acaba fazendo com que profissionais altamente qualificados deixem o país por falta de condições de pesquisa e trabalho.

A expectativa da SBPC é que, com um novo governo, o quadro se altere no país para a ciência e tecnologia, que são áreas decisivas para melhorar a produção de qualquer nação. “Precisamos ter alimentos suficientes para alimentar população, e temos. Mas voltamos ao mapa da fome. São 30 milhões de pessoas que passam fome, e metade da população brasileira, mais de 100 milhões, sem ter certeza se vão ter alimentos no mês que vem. Isso é muito grave”, diz o filósofo.

Para ele, é urgente resolver essa questão interna do país, mas também pensar que o Brasil é um dos países com mais terras agricultáveis do planeta e precisa exportar alimentos, o que aumenta o saldo da balança comercial. “O Brasil pode ser um celeiro do mundo como o Egito foi de Roma”, diz.

Fonte: Rede Brasil Atual

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