Explorar
Menu
Pesquisa
Associado

Menu

Pesquisa

Alimentação: estudo mostra como gigantes da indústria influenciam políticas de saúde no Brasil

Publicado em 18 de Agosto de 2022 Por ADURN Sindicato

Dossiê aponta influência de grandes fabricantes no Congresso Nacional, na mídia e até mesmo no ambiente acadêmico

A influência da indústria de alimentos ultraprocessados nas decisões sobre políticas de promoção da saúde alcança quase metade do Congresso Nacional. A percepção é parte do estudo "Dossiê Big Food: Como a indústria interfere em políticas de alimentação", lançado pela ACT Promoção da Saúde e pelo pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

Segundo os dados levantados pelo estudo, 57% dos deputados e 48% dos senadores eleitos em 2014 receberam dinheiro da indústria de ultraprocessados. Isso inclui fabricantes de bebidas e alimentos ricos em sódio, açúcar e gorduras, substâncias diretamente ligadas ao desenvolvimento de doenças crônicas. Mais de 70% das mortes no Brasil são causadas por esses males.

Somente a JBS, gigante que atua no processamento de carnes, destinou financiamento para campanhas de 36% do parlamentares eleitos e eleitas em 2014.

O estudo traz casos ilustrativos sobre o processo de influência dessas indústrias na discussão política. Elas conseguem privilégios, incentivos fiscais e atuam também para reverter ações em desenvolvimento e que beneficiam a população.

Na discussão sobre rotulagem dos produtos, por exemplo - que tinha objetivo de incluir selos nas embalagens para advertir os consumidores sobre componentes que fazem mal para a saúde -, o setor atuou fazendo pressão. As estratégias minimizam a gravidade dos impactos do consumo desses alimentos para o corpo humano e tratam problemas de saúde pública como mera questão de mudança de hábitos dos consumidores.

O dossiê observa que a prática não é exclusividade do Brasil. "Isso fica claro ao analisarmos os casos da rotulagem nutricional, da publicidade infantil e da tributação de bebidas adoçadas, nos quais observa-se o uso de argumentos e táticas semelhantes em diversos países que ousam levantar discussões sobre esses temas, considerados estratégicos para a saúde pública, mas extremamente delicados para as corporações, já que podem impactar negativamente seus ganhos financeiros", evidencia o documento.

Outro exemplo identificado nacionalmente foi a interferência da indústria para desqualificar e boicotar o "Guia Alimentar para a População Brasileira", publicação do Ministério da Saúde com orientações baseadas em evidência científica sobre hábitos de alimentação saudável. A tática envolveu não só o lobby entre parlamentares, mas também conta com apoio de pesquisadores financiados pelo setor.

A pesquisa revela ainda que existe uma pressão dessas indústrias para influenciar estudos e pesquisas acadêmicas e convencer os meios de comunicação e a população em geral. Em alguns casos, a tática tenta, inclusive, distorcer e desconstruir políticas públicas que já estão em prática e que de alguma maneira podem diminuir os lucros dessas empresas.

Ainda de acordo com o documento, o sucesso das técnicas implementadas pelos gigantes da indústria de alimentos explicitam "um cenário político favorável para o setor privado comercial, que tem conseguido atravancar a agenda regulatória relacionada ao incentivo, apoio e à proteção da alimentação adequada e saudável".

Fonte: Brasil de Fato

Compartilhar: