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Por que o governo Bolsonaro ainda quer cobrar mensalidade na universidade pública?

Publicado em 20 de Setembro de 2022 Por ADURN Sindicato

 

Em 2019, um deputado PSL (partido pelo qual Bolsonaro se elegeu) apresentou a PEC 206/19 que permite cobrança de mensalidade aos alunos das universidades públicas. Nascida a partir um relatório defasado do Banco Mundial, a gratuidade permaneceria apenas para estudantes comprovadamente carentes, definidos por comissão de avaliação da própria universidade. Isso porque o diagnóstico partia de um princípio equivocado de que nas universidades públicas estudam apenas os “filhos da elite”, ou seja, de quem poderia pagar.

De fato, o Brasil já foi assim. Mas não é mais, graças sobretudo às políticas de inclusão dos governos a partir de 2003 e à aprovação da Lei de Cotas. Segundo pesquisa da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), 70,2% dos estudantes das universidades federais tinham renda mensal familiar per capita de um salário-mínimo e meio no ano de 2018.

Ou seja, a maioria dos alunos das federais – que compõem o maior sistema público de ensino superior no país – pertence à faixa de menor renda. Sendo assim, a cobrança de mensalidade atingiria uma pequena parcela de estudantes, desmontando a base do discurso a favor da cobrança por conta do suposto “custo” das instituições.

Crise de verdade

A verdadeira crise tem sido causada pelo próprio governo Bolsonaro que adotou uma série de políticas de contingenciamentos, bloqueios e cortes no Ministério da Educação – um movimento historicamente conhecido para justificar a privatização. Só em 2022, o corte será de mais de R$ 3 bilhões, o que representa mais de 14,5% do orçamento – que vai afetar de modo expressivo todas as áreas, sobretudo as universidades, institutos e cefets.

Intromissão fardada

Como se não bastasse os desvarios do governo Bolsonaro, um grupo de militares, com apoio do vice-presidente Hamilton Mourão, também publicou um projeto de dominação política até 2035 que incluía, entre seus delírios absolutistas e paranoias infantilizadas, o fim da gratuidade do Sistema Único de Saúde (SUS) e cobrança de mensalidade nas universidades públicas.

O objetivo do grupo é limitar o debate acadêmico e a liberdade de cátedra – todos pontos garantidos pelo artigo 207 da Constituição, que estabelece o conceito de autonomia universitária.

Se isso acontecesse, desestruturaria a capacidade de resolução de demandas das instituições, impactando a permanência estudantil, e criaria “subclasses” dentro das universidades, o que deixaria os espaços em permanente ebulição, além de ferir o conceito de universalidade da educação pública.

Depois de muito debate na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados e de muita pressão social, os parlamentares optaram por não convocar as audiências públicas que era pré-requisito para o avanço do projeto. Mas o governo não retirou o projeto.

Portanto, o risco permanece latente e, caso seja reeleito, Bolsonaro deve retomar essa proposta.

Em um governo de recuos e marcado pela irresponsabilidade, constantes ataques à educação pública, sobretudo contra as universidades, a ameaça ao ensino público de qualidade segue em permanente estado de emergência.

Fonte: APUB

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