8 de janeiro: três anos do ataque à democracia e da luta por responsabilização

Publicado em 08 de janeiro de 2026 às 11h18min

Tag(s): 8 de janeiro Manifestações golpistas Nota da Diretoria



Há três anos, o Brasil assistia a uma das cenas mais graves de sua história recente. Em 8 de janeiro de 2023, as sedes dos Três Poderes da República foram invadidas e depredadas em um ataque direto ao resultado das urnas e ao Estado Democrático de Direito. Não se tratou de protesto, mas de uma tentativa deliberada de golpe, articulada por setores que se recusaram a aceitar a derrota eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro e apostaram no caos como método político.

A violência daquele domingo foi o ponto culminante de um processo que vinha sendo construído desde antes das eleições de 2022, com a disseminação de mentiras sobre o sistema eleitoral, o incentivo à ruptura institucional e a conivência de autoridades com acampamentos e atos golpistas espalhados pelo país. O objetivo era claro: impedir a posse de um presidente eleito democraticamente e submeter a democracia brasileira à força e à intimidação.

Três anos depois, lembrar o 8 de janeiro não é apenas um exercício de memória. É uma afirmação política de que a democracia precisa ser defendida todos os dias e que crimes contra ela não podem ser relativizados.  Além disso, diante da proximidade das eleições de 2026, o debate ganha urgência. Mais do que nunca, é necessário estar atento aos discursos de ódio, à desinformação e às tentativas de deslegitimar o processo democrático. A experiência recente mostrou que ataques à democracia não surgem de forma espontânea, mas são alimentados continuamente. Por isso, as investigações e condenações em curso representam um passo fundamental para romper com a tradição de impunidade que historicamente acompanhou atentados contra a ordem democrática no Brasil.

Nesse contexto, causa profunda preocupação a tentativa de setores do Congresso Nacional de aprovar projetos que reduzem as penas dos condenados pelos atos golpistas. A proposta, que pode beneficiar desde executores diretos da destruição até articuladores centrais da trama, afronta o interesse público e enfraquece o compromisso do Estado com a justiça. Não há pacificação possível sem responsabilização dos culpados. Reduzir as penas dos golpistas do 8 de janeiro é sinalizar tolerância com o autoritarismo.

A sinalização do presidente Lula de que vetará o projeto é correta e necessária, mas o debate segue aberto no Parlamento. A sociedade precisa estar atenta e mobilizada para impedir que acordos políticos transformem crimes contra a democracia em episódios menores. Defender a Constituição exige coerência, coragem e participação popular.

Por isso, neste marco de três anos da tentativa de golpe, movimentos sociais, sindicatos e entidades democráticas voltam às ruas para reafirmar que não haverá esquecimento nem anistia para quem atentou contra o país. No Rio Grande do Norte, os atos acontecem em Natal, com concentração em frente ao Shopping Midway Mall, às 15h, e em Mossoró, na calçada da Praça do Pax, no centro, às 15h30. Defender a democracia é uma tarefa coletiva e permanente, participe dos atos.

ADURN Sindicato
84 3211 9236 [email protected]