A UFRN no limite: os impactos concretos do corte no orçamento local

Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 09h30min

Tag(s): Cortes na Educação Educação UFRN



Até quando a UFRN consegue resistir à consecutivos cortes orçamentários? O que entra em risco com a rupturas desses recursos? É o que o terceiro episódio da série “Educação sob Ataque” explica. Desta vez, os entrevistados são o reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), José Daniel Diniz Melo, e o presidente do ADURN-Sindicato, Oswaldo Negrão. 

O reitor esclarece como que as últimas medidas tomadas pelo parlamento afetam, especificamente, a instituição, e para este diálogo foi levado em consideração o recente dado divulgado pela própria reitoria, em 24 de dezembro de 2025, que destacou que o corte referente à UFRN chega a uma porcentagem de 7,18%. Com a recomposição determinada pelo presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva, esse número pode ter alguma alteração, no entanto, o cenário ainda torna-se preocupante. 

O presidente do ADURN-Sindicato, Oswaldo negrão, por sua vez, rememora o corte executado no ano anterior e reforça o alerta sobre as principais áreas de ensino que são fortemente afetadas com esse tipo de medida orçamentária. 

Confira entrevistas:

Excelentíssimo reitor, quanto a UFRN perdeu com o corte no orçamento de 2026?

O orçamento de 2026 das universidades federais havia sofrido um corte pelo Congresso na ocasião da aprovação da Lei Orçamentária Anual, um corte de aproximadamente 7%. No caso da UFRN, isso representava aproximadamente R$15 milhões. Entretanto, no início deste ano de 2026, o governo federal anunciou a recomposição desse corte do orçamento, o que já ocorreu parcialmente no orçamento das universidades federais. Nós estamos aguardando agora a complementação dessa recomposição.

E quais áreas da universidade são impactadas primeiro quando há redução no custeio?

Quando há redução no orçamento de custeio das universidades, isso impacta em praticamente todas as áreas do funcionamento das instituições, envolvendo pagamento de energia elétrica, contratos de terceirização e assistência estudantil.

Até que ponto a universidade consegue resistir a sucessivos cortes?

A UFRN tem administrado essa situação de limitação orçamentária ao longo de vários anos, inicialmente com um planejamento orçamentário muito criterioso, seguido de uma discussão no Conselho de Administração de forma muito transparente e participativa, e em seguida uma execução muito cuidadosa para que a instituição possa finalizar o ano cumprindo com seus compromissos e sem levar compromissos pendentes.

Presidente Oswaldo Negrão, como esse orçamento se compara ao executado em 2025?

O orçamento de 2025, agora com a recomposição feita pelo governo federal, de certa forma traz um alívio para as instituições, universidades federais e institutos. Porém, nós precisamos destacar alguns elementos: o orçamento, desde 2014, ele tem sido insuficiente, na medida em que, se a gente faz análise dessa última década, houve um incremento no número de matrículas, no número de cursos,  no número de ações e de atividades desenvolvidas pelos professores dessas instituições. Ou seja, nós temos um número maior, um volume muito maior de estudantes, de programas e de projetos, e proporcionalmente a gente tem tido orçamentos insuficientes.

Afinal, que tipo de atividades podem ser comprometidas: Ensino, Pesquisa, Extensão, serviços à comunidade?

Podemos fazer uma análise, por exemplo, da defasagem que nós temos nesses últimos anos em relação ao sucateamento de laboratórios, de equipamentos, de pesquisa, do financiamento de ações de extensão e de inovação. Então, por um lado (claro!), nós precisamos comemorar, mas por outro, nós temos um conjunto de sérias ameaças em atividades que podem, sim, ser comprometidas; como a ampliação dos cursos, de programações e planejamentos anteriormente que eram feitos sobre a ampliação de cursos, projetos de pesquisa, editais. Tudo isso traz um comprometimento a médio e longo prazo das instituições que precisam dessa previsibilidade para que possam ter, de fato, um desenvolvimento sustentável.

Ouça EPISÓDIO 3 completo:

ADURN Sindicato
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