Primeiro episódio da série "Quem Cuida de Quem Ensina?" aborda trabalho docente e seus impactos na saúde
São mais de 2700 docentes na Universidade Federal do Rio Grande do Norte; distribuídos entre efetivos, substitutos, visitantes e temporários. Cada um em suas respectivas áreas de ensino; em seus projetos científicos; em suas salas de aula; pelos corredores entre as salas ou pelos laboratórios.
E, apesar das variáveis entre cada área acadêmica, existe para o professor e para a professora um objetivo permanente: transmitir o conhecimento. E é com esse objetivo que os mais de 2700 docentes da UFRN persistem diariamente por uma educação cada vez mais qualificada e eficaz para seus alunos.
No entanto, esse esforço diário custa para estes profissionais da educação um fator primordial, que por vezes é negligenciado: a saúde.
E, a fim de evidenciar o debate acerca da saúde do docente da UFRN, o ADURN-Sindicato inicia nesta sexta-feira, 17 de julho, uma série de reportagens especiais com o tema “Quem Cuida de Quem Ensina?”. Na ocasião traremos convidados especialistas para conversar sobre a importância do cuidado individual, mas, sobretudo, coletivo quando se trata de uma comunidade acadêmica.
Neste primeiro episódio contamos com a participação do professor da Faculdade de Ciências da Saúde do Trairi e diretor do ADURN-Sindicato, Dimitri Taurino, que reflete sobre a atuação da entidade frente à situação de trabalho e seus impactos na saúde docente.
Dimitri traz à tona em sua fala o adoecimento físico e mental como ponto de partida para uma luta permanente do sindicato em prol da qualidade de vida e de trabalho para estes professores: "Neste ano iniciamos uma campanha sobre a saúde do trabalhador docente na UFRN: ao longo de abril desenvolvemos um conjunto de atividades discutindo a temática por diversos campi; para o segundo semestre existe o planejamente sobre a realização de um fórum sobre saúde mental; ainda lançamos uma cartilha com pautas relacionadas à saúde do professor, isso porque compreendemos que uma base de fundamental importância para a nossa saúde é termos condições de trabalho adequedas, que nos permita produzir, mas produzir com qualidade e preservando nossa saúde".
Além disso,o dirigente chama atenção para a recente atualização no documento que diz respeito ao estágio probatório do docente na UFRN: "Recentemente a Resolução que trata do Estágio Probatório Docente foi atualizada e foram inseridos novos parâmetros e exigências aos docentes, dentre eles a realização de cursos, que, inclusive, não eram previstos dentro da carga horária. Isso se deu por meio de participação ativa do sindicato, tendo em vista que, caso não fossem computados dessa forma, os docentes teriam que fazê-los em outro horário para além da sua carga horária, o que seria mais um fator de adoecimento. Estes cursos serão incorporados ao PDI a fim de que o professor possa realizá-los dentro do seu horário de expediente".
A partir do conhecimento sobre o que tem ocasionado o adoecimento do profissional de ensino na universidade, o ADURN-Sindicato também tem realizado ao longo dos anos atividades políticas culturais com a finalidade de expandir o debate democrático sobre a situação e fortalecer a pauta junto aos seus associados, como detalha Dimitri Taurino: "Nos dois últimos anos, a partir de um conjunto de parcerias desenvolvidas com a APURN e com a Cooperativa Cultural, temos promovido eventos de lançamentos de livros, grupos de leituras, cinedebates e festas pensando na perspectiva ampliada da saúde em que lazer e cultura são aspectos de fundamental importância pra qualidade de vida e, consequentemente, pra saúde dos docentes da UFRN".
Esta série demonstra o compromisso do ADURN-Sindicato com todas as demandas docentes, compreendendo que a luta por respeito, valorização e mais investimentos na educação pública brasileira perpassa pela garantia de um espaço seguro e qualificado para aqueles que fazem o ensino e o saber circularem plenamente na sociedade.
No próximo episódio vamos dar destaque para situações em que o trabalho ultrapassa os seus limites, trazendo como exemplos algumas doenças psiquicas comuns atualmente.