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Educação e Ciência no Centro do Debate Eleitoral

Publicado em 08 de Setembro de 2026 Por ADURN Sindicato
Educação e Ciência no Centro do Debate Eleitoral

Em ano de eleições, discutir quem ocupará os espaços de poder também significa olhar para as escolhas que definem o futuro das universidades, da pesquisa científica e da formação de profissionais no país. No primeiro episódio da série especial do ADURN-Sindicato sobre as eleições de 2026, o foco está em uma pergunta essencial: qual lugar a educação e a ciência devem ocupar nos projetos apresentados pelos candidatos?

Para discutir o tema, conversamos com o professor Dárlio Inácio, docente da Escola Agrícola de Jundiaí e do programa de pós-graduação em desenvolvimento e meio ambiente da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e membro fundador do GT de Ciência e Tecnologia do PROIFES-Federação, e com o professor João Paulo Lima, docente titular de bioinformática do Instituto Metrópoles Digital e do departamento de bioquímica do Centro de Biociências.

As decisões sobre o orçamento público estão entre os fatores que mais interferem no cotidiano das universidades. O professor Dárlio Inácio analisa o impacto da concentração do orçamento no congresso nacional: 

“Em relação às decisões orçamentárias tomadas pelo congresso, sabemos que o orçamento da União, do governo federal, está muito concentrado no parlamento, né? Então, quando isso fica à mercê de cada parlamentar, fica muito difícil da universidade desenvolver suas atividades de ensino, pesquisa e extensão em sua plenitude. Quando uma parte do orçamento que ela precisa para isso está dependente do deputado A, B ou C ou do senador A ou B, isso prejudica muito o andamento das atividades dele na universidade."

O professor João Paulo Lima reforça que os investimentos em ciência e ensino não podem ser tratados pela classe política como meros cortes orçamentários:

"Muitos da classe política do nosso país enquadram esses investimentos como gastos, o que os torna vulneráveis, sendo normalmente incluídos em cortes ou em propostas de ajuste econômico. (...) Na pesquisa, nas bancadas de laboratório, a resiliência e o poder tamponante em tempos de menor investimento tendem a ser ainda menores. Ainda mais num contexto contemporâneo de rápidos avanços científicos e de inflação nos preços de equipamentos e insumos de pesquisa. Não devemos normalizar as consequências de quando um professor, pesquisador, tem de priorizar repetidamente a economia de um determinado reagente ou equipamento em relação ao aprendizado e à formação dos discentes profissionais."

Sobre as pautas fundamentais que devem constar nos programas de governo dos candidatos em 2026, o professor Dárlio Inácio destaca a preservação dos recursos da ciência e o Plano Nacional de Educação:

"Os planos de governo, principalmente, se referindo ao presidente da república, são importantes para o Brasil ter soberania. É importante um aporte significativo na ciência, tecnologia, na educação, que siga o plano nacional de educação. (...) Ciência e tecnologia têm o FNDCT, que é o Fundo Nacional de Ciência e Tecnologia, ele não pode ser desviado para outra finalidade, tem que ser garantido para ciência e tecnologia e tem que tá em consonância com a comunidade científica nacional."

O professor Dárlio aponta também os retornos diretos desse investimento para a economia do Rio Grande do Norte:

"A gente sabe que quando tem investimento em ciência e tecnologia, aquele estado que investe em ciência e tecnologia, com determinado tempo, os resultados vão tendo êxito, isso impacta na economia de forma positiva, porque vai gerar emprego qualificado, vai gerar renda para o para o estado, emprego para as pessoas eh daquele estado."

Outra questão essencial para o eleitor avaliar é a busca por soberania tecnológica em áreas estratégicas, como a inteligência artificial, segundo reforça o professor Dárlio:

"Um governo que não investe em educação, ciência e tecnologia, ele está fadado a ser subserviente a outro governo ou a outro estado, porque ele não constrói independência do ponto de vista intelectual, independência do ponto de vista de desenvolvimento de produtos tecnológicos inovadores. (...) É fundamental que o governo federal invista em um programa nacional de inteligência artificial e não fique dependente dependente das tecnologias de outros países."

Encerrando o debate, o professor João Paulo Lima lembra que o investimento na universidade pública é um dever de Estado com a Constituição e com o povo:

"As instituições federais de ensino superior e os seus servidores públicos servem ao Estado, não aos governos. Investimento em educação, saúde, inovação científica e justiça social não são contrapartidas, favores, nem devem ser encarados como transações econômicas. São obrigações mínimas de quem tem mandato para servir ao povo e de quem prestou juramento à Constituição. Essa é a visão e o histórico que devemos avaliar."

Exigir o compromisso dos candidatos com a educação e a ciência é fundamental para o futuro do nosso país. Esta foi uma produção do ADURN-Sindicato para a Rádio Universitária.

Ouça episódio 1:

 

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