A Cidadania Ativa e o Combate à Desinformação
Em ano eleitoral, o fluxo de notícias se intensifica, mas nem tudo o que chega na tela do seu celular é informação de verdade. Diferente da propaganda oficial dos candidatos, que responde a regras da Justiça Eleitoral, a desinformação intencional corre por caminhos obscuros e com alto poder de alcance.
Para entender a diferença entre o debate político legítimo e a manipulação das redes, conversamos com o professor Ruy Alckmin, do Departamento de Comunicação Social da UFRN. Ruy explica que o problema vai muito além de um boato isolado.
"As campanhas intencionais de desinformação acontecem, muitas vezes, com elevado investimento, com uso de fazendas de bots e manipulações do algoritmo. E nem é algo assim tão novo, né? Já que nós já vimos esse tipo de deturpação do debate público desde o escândalo envolvendo a empresa de analítica. Isso aí já faz anos. Então, a sociedade deveria ter-se mobilizado mais, o judiciário, o próprio legislativo, além do poder executivo para controlar e impedir que campanhas desinformativas tivessem tanto respaldo como tem hoje, tanta difusão, tanta capacidade de chegar até o público como tem hoje."
O professor Ruy Alckmin alerta ainda que a própria mídia tradicional, ao adotar uma cobertura baseada apenas em declarações sem o devido aprofundamento ou ao apostar no sensacionalismo, acaba abrindo brechas para que a manipulação avance. Diante desse cenário, como a comunidade acadêmica e a sociedade potiguar podem reagir? A resposta está na busca ativa por um jornalismo focado em fatos e em temas estratégicos para o país.
"A primeira iniciativa que a comunidade universitária tem que empregar é buscar informação de qualidade. Por exemplo, buscando revistas e jornais de credibilidade, comparando as fontes, fugindo de certas explorações banalizadas de temas que são até relevantes, mas são tratados de forma superficial... Então, uma dica importante pra comunidade universitária é buscar jornalismo de qualidade, priorizar fatos em detrimento de opiniões, em detrimento de declarações, e pensar nos grandes temas estratégicos para o Brasil: soberania, educação, saúde, ciência, tecnologia, emprego, desenvolvimento", explica Ruy.
O combate às fake news e à manipulação exige do cidadão comum hábitos diários de checagem: duvidar de conteúdos apelativos, verificar a fonte e não compartilhar informações sem confirmação.
Essa postura crítica é urgente porque a desinformação não é neutra. Ela tem lado, atende a interesses econômicos das grandes plataformas de tecnologia e ameaça diretamente a democracia e a escolha consciente no momento do voto. O professor Ruy Alckmin conclui destacando a importância da mobilização popular para defender as instituições e os direitos sociais:
"Se analisarmos a manipulação de informações, no seu contexto mais amplo, percebemos que se trata de toda uma engenharia que envolve investimento pesado, uso abusivo das tecnologias, muitas vezes com a anuência, com a participação, ou até com ativismo de grandes empresas da comunicação, como é o caso de Google, Meta, Instagram, Facebook, Twitter, entre outras. Esses conglomerados lucram com a desinformação. Cabe a nós desmantelar essas máquinas de ódio, desmantelar as fazendas de bots através da mobilização, através do senso crítico, através da participação e ao mesmo tempo promover o voto consciente, promover votos que atendam o interesse público, candidatos e candidatas que são comprometidas com a justiça social, com a ciência, com a democracia, com a educação, com saúde para todos."
Exercer a cidadania ativa no processo eleitoral de 2026 é defender o debate público fundamentado na verdade, na ciência e no bem comum. No próximo episódio, falaremos sobre o impacto das escolhas locais e nacionais no Rio Grande do Norte.