Trabalhadores europeus terão que lidar com risco de cortes salariais

Publicado em 25 de julho de 2011 às 09h48min

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Desde Paris e Estrasburgo, de Berlim e de Frankfurt, meia dúzia de banqueiros exigiram, e os intermediários Nicolas Sarkozy e Angela Merkel repassaram a ordem às gerências títeres de Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha: corte imediato de 5% nos salários dos funcionários públicos da periferia da Europa, aproveitando-se da sigla formada pelas iniciais dos nomes em inglês dos países ora com a corda do déficit público no pescoço: Piigs, ou "porcos", na língua britânica.
Os capachos empoleirados no topo das burocracias de Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha já obedeceram. Na Itália, Berlusconi está a caminho de fazer o mesmo.
Na Grécia, há cerca de dois meses 80% dos funcionários públicos ganhavam entre 700 euros e 1.500 euros por mês (os burocratas do alto escalão recebem até 4 mil euros). A média de salários entre esses trabalhadores era de 1.200 euros mensais. Com o arrocho exigido e acatado pela gerência local dita "socialista", essa média vai cair para 1.140 euros mensais, o que significa que, no geral, os servidores do "baixo escalão" terão sua renda anual diminuída em 720 euros (o equivalente a cerca de R$ 1.600). Isso sem contar os aumentos de impostos e a defasagem dos valores absolutos, porque não haverá reajuste em um horizonte visível.
Os servidores públicos também vão perder 3 mil euros por ano em pagamentos especiais de feriados, direito sumariamente cortado também por exigência dos bancos da França e da Alemanha. Uma diretora de escola de ensino fundamental na Grécia ganhava, antes de o paiol grego ir pelos ares, cerca de 1.800 euros líquidos mensais.
O pacote de março lhe ceifou 125 euros dos seus ganhos, e as novas medidas lhe custarão mais 75 euros por mês. Ao todo, em menos de 90 dias, o Estado grego sob a ordens franco-alemães subtraiu-lhe 200 euros da renda (o equivalente a cerca de R$ 440).
Progressiva precarização
O salário mínimo na Grécia está em torno de 700 euros, metade do que é estipulado na França, e a gerência George Papandreou acena com a intenção de reduzi-lo ainda mais. Os direitos histórica e justamente conquistados com muita luta do povo grego contra o capital opressor garantiam aos trabalhadores aposentados 14 pagamentos anuais. Agora, quem ganha mais de 600 euros de aposentadoria (cerca de 40% do total de reformados) receberá a renda apenas 12 vezes por ano.
A idade média para se aposentar na Grécia é de 61 anos, mas o governo pretende empurrá-la para 63. Há informações de que está sendo preparada uma ofensiva para obrigar os trabalhadores a permanecer na ativa até os 67 anos.
Comparados com os números dos salários e aposentadorias no Brasil, à primeira vista a situação dos trabalhadores europeus, mesmo estes mais precarizados, pode parecer até muito razoável, mas o que está acontecendo neste momento em países como a Grécia é o gradual nivelamento por baixo das condições de vida das massas.
A exigência dos bancos e dos monopólios é que seus salários, bem como seus direitos e garantias, sejam dilapidados até bem próximo do patamar de miséria e insegurança em todos os níveis nos quais o imperialismo e suas instituições, como o FMI e o Banco Mundial, deixaram os povos da América Latina, da Ásia e da África em parceria com as sucessivas gerências oportunistas e reacionárias locais.
Banqueiros-carrascos
Em Portugal, o governo que também se arvora "socialista" decretou novas regras para o cálculo do seguro-desemprego. Um exemplo: um trabalhador que estava empregado, recebendo 851 euros, e que acabou demitido sem justa causa, passaria a receber subsídio 676 euros, mas agora terá o auxílio cortado para 639 euros, e ficará obrigado a aceitar qualquer trabalho que lhe remunere com 700 euros brutos.
Descontados os 11% da Segurança Social e os 4% do Imposto de Renda, essa renda cai para 600 euros líquidos, 250 euros a menos (o equivalente a cerca de R$ 550) do que ganhava antes de ser injustamente demitido. Tudo por ordem das classes dominantes, que mandam no primeiro-ministro José Sócrates e no presidente Cavaco Silva.
Dizem que 5% de corte nos salários é pouco, que os trabalhadores aguentam, que é o mínimo necessário com o qual as massas assalariadas podem "contribuir" com os esforços para mitigar a crise. Falam no imperativo de o povo fazer "sacrifícios", mas o que exigem de fato é que todas as conquistas do mundo do trabalho sejam levadas às guilhotinas.
Na verdade, os salários nos países em bancarrota mais avançada já vêm sendo depreciados há tempos, para muito além dos cortes de 5% há pouco exigidos pelo capital financeiro. Na Irlanda, os funcionários públicos viram seu salário diminuir 2% em janeiro de 2009, 6% em março daquele ano, e mais 6% em janeiro de 2010.
O povo europeu não aceita arcar com os rombos orçamentários causados pelos repasses das suas riquezas aos bancos em apuros. Bancos estes que, uma vez salvos pelos chefes das potências e pelos gerentes dos "Piigs", agora querem cobrar, em vez de pagar caro pelas consequências junto às massas da crise sem fim.
Mas, no fim das contas, do alto de sua ganância e soberba, os banqueiros, financiadores dos monopólios e inimigos de morte do povo, ajudam a atiçar a centelha revolucionária entre aqueles que mais cedo ou mais tarde lhes darão o golpe de misericórdia.

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