Mês da Consciência negra – História do negro no Brasil

Publicado em 22 de novembro de 2011 às 10h55min

Tag(s): Opinião



Estamos no mês da consciência negra. Dia 20 de novembro simboliza a resistência negra e abre portas para celebrar suas várias formas de resistência, lembrando a história de resistência dos negros, a cultura que resistiu até os dias de hoje e hoje faz parte da cultura brasileira, a religiosidade como forma de resistência também.
Os nossos livros didáticos pouco falaram sobre o negro no Brasil. Tratou o negro como “coisas” que não contribuíram com nada para a formação do país, colocou-o sempre à margem da história retratando apenas o europeu no Brasil. O negro foi retratado como um ator passivo, que nunca se revoltou com sua situação de escravo e pior, tivemos a abolição da escravatura retratada como um favor feito pela princesa Isabel. Hoje, após muita luta a lei 10.639/03 já faz com que as escolas abordem a história do negro e sua cultura de forma a mostrar aos estudantes que o negro contribuiu sim para a formação social e cultural do Brasil. O dia da consciência negra vem exatamente para isso. Para resgatar a história do negro, sua luta. A data do dia da consciência negra foi estabelecida pelo projeto lei número 10.639, no dia 9 de janeiro de 2003. Foi escolhida a data de 20 de novembro, porque foi neste dia, no ano de 1695, que morreu Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares.
A homenagem a Zumbi foi mais do que justa, porque este personagem histórico representou a luta do negro contra a escravidão, no período do Brasil Colonial. Ele morreu em combate, defendendo seu povo e sua comunidade. Os quilombos representavam uma resistência ao sistema escravista e também um forma coletiva de manutenção da cultura africana aqui no Brasil. Zumbi lutou até a morte por esta cultura e pela liberdade do seu povo.
A criação da Consciência Negra foi importante porque serve como um momento de conscientização e reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura nacional. Os negros africanos colaboraram muito, durante nossa história, nos aspectos políticos, sociais, gastronômicos e religiosos de nosso país. É um dia que devemos comemorar nas escolas, nos espaços culturais e em outros locais, valorizando a cultura afro-brasileira.
A abolição da escravatura, de forma oficial, só veio em 1888. No entanto, os negros sempre resistiram e lutaram contra a opressão e as injustiças advindas da escravidão, diferente do que pregou a história oficial contada nos livros de história por muito tempo. Vale dizer também que sempre ocorreu uma valorização dos personagens históricos de cor branca. Como se a história do Brasil tivesse sido construída somente pelos europeus e seus descendentes. Imperadores, navegadores, bandeirantes, líderes militares entre outros foram sempre considerados herois nacionais. Agora temos a valorização de um líder negro em nossa história e esperamos que em breve outros personagens históricos de origem africana sejam valorizados por nosso povo e por nossa história. Passos importantes estão sendo tomados neste sentido, pois nas escolas brasileiras já é obrigatória a inclusão de disciplinas e conteúdos que visam estudar a história da África e a cultura afro-brasileira. No dia 11 de novembro deste ano de 2011 tivemos também sancionado pela presidente Dilma, o dia nacional da Consciência negra, até então a consciência negra era realmente só consciência. É mais um passo para lembrarmos das nossas raízes negras e resgatar a história de luta do negro no Brasil.
Consciência negra é ter consciência da origem do nosso país, da nossa história, da nossa formação social, cultural, econômica, da nossa identidade.
Ser negro no Brasil não é só ter a cor da pele negra, é a cultura, o jeito de falar, de ser, o gingado em dançar, é a comida brasileira, ser negro é ser brasileiro, o ser mestiço.
Obrigada pelo seu acesso.
Fonte: Painel Brasil TV
 

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