“A condição humana do trabalhador está sendo desprezada”, alerta Carla Carneiro em lançamento de livro

Publicado em 22 de agosto de 2018 às 15h58min

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Entender a sustentabilidade e o equilíbrio ecológico no ambiente de trabalho, esse é um dos objetivos do livro “Relações Sustentáveis de Trabalho”, da jurista Carla Maria Santos Carneiro. A obra foi lançada na manhã desta quarta-feira (22), no auditório da Biblioteca Central Zila Mamede, Campus da UFRN. O evento contou com o apoio do ADURN-Sindicato.

A obra propõe uma cuidadosa reflexão sobre como estabelecer as relações sustentáveis de trabalho com a Psicodinâmica do Trabalho preconizada por Christophe Dejours, bem como uma análise acerca das vivências de prazer e sofrimento de acordo com a psicodinâmica do trabalho, oferecendo ainda um diálogo entre o Direito e essa Psicodinâmica. Germano Campos Silva e Lila de Fátima Carvalho, também assinam o livro.

“A proposta é de que as relações de trabalho sejam fundamentadas no artigo primeiro, incisos um e três da Constituição Federal, que abordam o princípio da dignidade e dos valores sociais do trabalho. O trabalho tem um valor social e se esse valor social não foi respeitado, buscado, apresentado, ele logicamente não está cumprindo com a sua função”, afirmou Carla Carneiro.

Para a autora o momento que estamos vivendo no Brasil, após a aprovação da Reforma Trabalhista, está indo na contramão das propostas de relações sustentáveis de trabalho abordadas no livro. “Na busca ansiosa pelo lucro a condição humana do trabalhador está sendo desprezada. Nós precisamos resgatar essa condição e para isso precisamos apresentar espaços de discussão, de reflexão, de deliberação e sobretudo de resistência”, ressaltou Carla.

Para o professor do Departamento de Economia da UFRN, William Eufrázio, que coordenou a mesa de lançamento do livro na manhã desta quarta-feira, “atualmente, com as novas políticas econômicas e novas relações de contrato, pode-se dizer que a relação de trabalho entre trabalhadores e empresários está assumindo uma insustentabilidade extremamente gravosa, principalmente para a parte mais fraca, que é a classe trabalhadora”.

Segundo William Eufrázio, a questão psicológica tem se tornado o elemento de maior insustentabilidade nas relações de trabalho. “Como foi discutido durante o evento o crescimento das doenças neuropsicológicas tem se acentuado nos últimos anos não só no Brasil como no mundo todo. Hoje o Brasil fica atrás de poucos países no que se refere a suicídio no trabalho, a depressão, síndromes de fobia, etc. Então é preciso construir novas relações, que sejam sustentáveis e decentes no mundo do trabalho”, disse.

A professora aposentada Vani Pereira acompanhou o lançamento e ressaltou a importância de trazer discussões nesse sentido para a universidade. Para além da importância da discussão, a professora destacou que trazer este tema ao debate não deixa de ser uma forma de resistência aos ataques aos trabalhadores. “A conferência de hoje chama atenção para esse quadro histórico de desqualificação do trabalhador e é importante ter esse espaço para que possamos dialogar sobre o tema”, afirmou a professora.

 

Sobre Carla Carneiro

Carla Maria Santos Carneiro atua como advogada trabalhista. É bacharel em direito pela Universidade Federal de Goiás, especialista  em Direito do Trabalho e Processual do Trabalho, mestre em Direito, Relações Internacionais e Desenvolvimento e doutoranda em Psicologia com ênfase em Psicodinâmica do Trabalho.

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