Centenário Paulo Freire: conferência magna aborda legado do educador na formação de profissionais de saúde

Publicado em 16 de setembro de 2021 às 12h43min

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O legado de Paulo Freire na formação de profissionais de saúde foi o tema central da conferência magna que abriu, na tarde desta quarta-feira (15), o evento em celebração ao Centenário de Paulo Freire, promovido pelo Departamento de Odontologia do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Conduzida pelo coordenador do evento, professor Luiz Noro, e pela acadêmica Thayane Pereira, da comissão organizadora, a atividade contou com as exposições do ex-secretário de educação do Rio Grande do Norte, professor Marcos Guerra e do professor José Luis Medina Moya, da Universidade de Barcelona.

O professor Marcos Guerra introduziu sua fala relembrando que “para Paulo Freire, a chave inicial de qualquer formação é o diálogo", reforçando a importância e presença desse diálogo também na áreas da saúde, pois quando “o profissional da saúde dialoga com o paciente e com a comunidade, sobretudo na saúde pública, no SUS e na saúde da família, seguramente, Paulo Freire tá presente e subsidia o trabalho desses profissionais”.

“Nós vemos em Paulo Freire essa necessidade de saber sobre a raiz cultural daquele que está na nossa frente. É a partir dessa interação que nós vamos construir o saber comum, que agrega o saber científico do profissional da saúde e o saber popular [dos pacientes], pois mesmo a mais complexa pesquisa científica tem uma base na sabedoria popular”, afirma o ex-secretário de educação.

Marcos Guerra destacou que “mesmo na relação mais apressada que um profissional da saúde possa ter com um paciente, sempre há uma troca e sempre há uma aprendizagem”, mesmo que, em alguns momentos, não seja possível assimilar e transformar rapidamente aquela forma de ação. Apesar disso, para o professor, ainda há um caminho a ser percorrido para que a prática freiriana chegue nos consultórios, e na “loucura que são as salas das urgências”.

Para o Professor José Luis Medina é possível observar os impactos dos ensinamentos de Paulo Freire nos programas de formação em educação médica das principais universidades da América e Europa, “principalmente no âmbito da preparação de profissionais nas práticas pedagógicas e nas práticas comunitarias”. 

“A saúde é uma questão que está mais relacionada com as condições materiais da existência do que com o número de camas ou número de profissionais da saúde. O enfoque dos sistemas nacionais de saúde deve ser a comunidade, deve ser centrado na prevenção e promoção de saúde”, explica José Luis Medina.

“Outra ideia freireana presente no currículo dos cursos da área da Saúde é a necessidade da problematização do saber. Dessa maneira, não pode existir um saber fechado, mas o professor deve ser posto à disposição do estudante, para que assim ele consiga elaborar sua própria compreensão de mundo”, concluiu Medina.

Ao final das falas dos conferencistas, os mediadores abriram para a participação do público, que pôde enviar comentários e perguntas por meio do chat. Mais de 150 pessoas acompanharam Ao Vivo a transmissão do evento. 

Mesa de Abertura

Após a conferência magna, o aluno do Mestrado em Saúde Coletiva da UFRN, Arthur Alenxandrino, membro da comissão organizadora do evento, conduziu a mesa de abertura, que contou com a participação do coordenador do Programa de Saúde Coletiva da UFRN, profesor Ângelo Roncalli, do diretor do ADURN-Sindicato, professor Roberval Pinheiro,  e do coordenador do Centenário Paulo Freire, professor Luiz Noro.

Para o professor Ângelo Roncalli, é uma oportunidade única trazer esse debate. O docente considera a discussão importante, sobretudo, "em um momento em que a gente está tendo que discutir se a terra é redonda ou não". Ele destaca que relembrar a importânica de Paulo Freire poderia ser uma coisa meio obvia, mas não é o que acontece atualmente, em virtude da conjuntura complexa que o país atravessa. "Esse evento é também um ato de resistência", disse.

"Nós do ADURN-Sindicato estamos aqui em posição de quem agradece esse honroso convite para participar de evento de tal envergadura entendendo, como as pessoas que falaram até aqui, esse caráter revolucionário, esse caráter de resistência e de resiliência, que nós precisamos ter em momentos tão difíceis", afirmou Roberval Pinheiro. 

O dirigente lembrou ainda das lutas que estão sendo travadas nacionalmente em defesa dos docentes e dos demais servidores públicos. Para Roberval, "é através da leitura do Paulo Freire, da internalização daquilo que o Paulo Freire coloca, traz para a gente e deixa para a gente como legado, que nós continuamos exatamente alimentando a luta no setor saúde e, porque não dizer, extensivamente, a luta em favor do direito, da cidadania, da democracia".

O professor Luiz Noro agradeceu aos convidados presentes à mesa, à comissão organizadora e aos participantes do evento. Para o docente, ter 525 pessoas inscritas, de praticamente todos os estados do país, "mostra o quanto é importante, o quanto é fundamental, a gente defender não Paulo Freire do ponto de vista pessoal, mas de suas ideias,  o que ele representa para a gente hoje, se tivesse vivo fazendo cem anos. Mas se ele não está vivo fisicamente, sem dúvida, a força das suas propostas, das suas ideias, nos mantém - como roberval colocou - numa perspectiva de esperança que a gente possa reverter a situação inimaginável que a gente vive hoje no Brasil", afirmou.

Ao final da atividade, os presentes puderam apreciar a apresentação cultural de Paula Érica.

A programação do “Centenário Paulo Freire: contribuições para a formação nos cursos da área da Saúde'' segue até o dia 17 de setembro com conferências e apresentações de trabalhos científicos da área, confira a agenda AQUI. As conferências podem ser acompanhadas ao vivo no canal do YouTube do ADURN-Sindicato. A transmissão completa da conferência magna pode ser vista no vídeo abaixo:




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